Para compreender a importância do trabalho fonoaudiológico voltado para auxiliar problemas na deglutição, pergunte-se: como seria sua vida sem poder comer? Pois é, nesses casos a fonoaudiologia tem um papel de extrema importância para buscar possibilidades de reabilitação e/ou adaptações, visando uma melhor qualidade de vida com segurança para o paciente.

Deglutir pode parecer simples, no entanto é um processo extremamente complexo e requer uma coordenação precisa com a respiração. Vários músculos faciais e nervos encefálicos estão envolvidos numa deglutição normal.

As fases da alimentação são:

  • Preparatória, quando o alimento é manipulado na boca e ocorre a mastigação quando necessário;
  • Oral, que se refere ao controle sensório-motor, obtendo o paladar e formação do bolo alimentar. A língua impulsiona o alimento para trás;
  • Faríngea, que é o ato de deglutir, processo reflexo neuromuscular;
  • Fase esofágica, que é o caminho percorrido do esôfago até o estomago.

Qualquer alteração em uma dessas fases é chamada de disfagia, o que leva a pessoa à constante instabilidade clínica e pode ocasionar complicações como pneumonia aspirativa, desnutrição, desidratação e até mesmo o óbito. Pode ocorrer após doenças de base, como por exemplo acidente vascular encefálico (AVE), traumatismo cranioencefálico (TCE), Parkinson, câncer, presbifagia, que pode ocorrer com o envelhecimento, entre outras doenças.

O diagnóstico é feito pela equipe médica, fonoaudiológica e por exames complementares. Esse processo deve ser realizado com cautela, para indicar o melhor caminho do tratamento.

Mas, como identificar alguns desses sinais e já procurar ajuda?  Algumas das observações que podem ser feitas mais facilmente pela própria pessoa e a família são: tosses, engasgos, dispneia (falta de ar durante esse processo de deglutir), alteração para uma coloração cianótica (roxa) e escapes frequentes de alimentos pela boca.

O fonoaudiólogo é responsável por reabilitar e/ou verificar as vias e consistências de alimentação seguras para o paciente.

Então aí vai uma dica: procure se alimentar com calma, mastigue bem os alimentos e aproveite bem o seu momento de alimentação. Qualquer alteração percebida, procure um profissional.

Dra Camila Crato Cardoso
Sou fonoaudióloga graduada pela Universidade FUMEC e pós-graduada em Motricidade Orofacial pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).